O Templo do Céu
Posicione-se diante das construções que formam o complexo do Templo do Céu e você verá encarnado o desejo da humanidade de ordem em meio ao caos terreno. A manifestação perfeita disso é o Qinian Dian, ou Salão de Preces por Boas Colheitas. Estrutura perfeitamente simétrica, tem telhado azul-escuro em três camadas circulares, no formato de pratos emborcados, separados por faixas de entalhes azuis-claros e dourados, sendo o todo coroado por uma esfera dourada.
Sua arquitetura é cercada por simbolismos. No interior, três anéis de coluna suportam o telhado azul que representa o céu. Quatro pilares ao centro representam as quatro estações do ano. Doze no anel seguinte simbolizam os doze meses do ano. E as doze colunas exteriores, as doze horas do dia.
A construção inteira simboliza o próprio céu.
Era para este lugar que o imperador da China, conhecido como Filho do Céu, vinha numa procissão solene, na véspera do solstício do inverno de cada ano para orar por boas colheitas e meditar na adjacente Abóboda Imperial do Céu, uma versão reduzida do Salão de Oração.
No dia seguinte ele retornava para oferecer sacrifícios e preces no Altar Redondo elevado, um terraço de mármore de três níveis no mesmo complexo. Também aqui o simbolismo exerce papel crucial: o número de lajes do pavimento de cada círculo do terraço em três níveis do altar é um múltiplo de nove, o número imperial.
A cerimônia da colheita deveria ser realizada sem nenhum erro.
Segundo a tradição, o menor equívoco da parte do imperador constituiria mau agouro para a nação ao longo do ano seguinte.
Ao mesmo tempo, os sons da China secular proporcionam ao visitante moderno um contraponto mais terreno: adolescentes às gargalhadas, fazem experiências com o muro de ecos da Abóboda Imperial do Céu, enquanto as vozes dos chineses mais velhos, entoando antigas canções do repertório comunista, chegam do parque nas redondezas do templo.









