Cânion de Chelly
O vasto e sinuoso Cânion de Chelly fica no coração da terra dos Navajo, entre as quatro montanhas sagradas da tribo. Esculpidas na paisagem de arenito por um rio que desce dos montes Tunicha, as íngremes muralhas vermelhas do cânion ostentam as marcas, as formas ásperas e as fissuras deixadas por milhares de anos de erosão e do efeito do clima: expressões estruturais da passagem do tempo.
Esculpidas nestes penhascos verticais, em fendas horizontais acima do chão do cânion ficam as moradias antigas dos indígenas norte-americanos pré-históricos, conhecidos como anasazi (ou povos antigos). O assentamento da Casa Branca, assim chamado por seu pano de fundo de gipsita branca, foi construído no século XI e no ano passado, chegou a abrigar uma comunidade de mais de cem pessoas.
Pictogramas complexos enfeitam as paredes próximas da Casa Branca. São desenhos decorativos e espirais ou narrativas de acontecimentos históricos, como a chegada do exército espanhol à região.
Hoje a área é habitada pelo povo navajo e pertence a ele. Os navajo a ocupam desde o século XVIII e o próprio Cânion é classificado como monumento nacional.
Na junção entre o cânion de Chelly e o cânion Monument, uma grande lança de arenito conhecida como Spider Rock ergue-se 240m acima do chão do cânion, lançando uma sombra dramática sobre a paisagem em volta.
Segundo as lendas dos índios navajo e hopi, a ponta da pedra é a casa da deusa Mulher-Aranha, uma poderosa intermediária entre os humanos e os deuses. Conta que a Mulher-Aranha teria ensinado os navajo a tecer, que é uma das artes mais importantes da tribo.
Ao mesmo tempo em que ela é venerada, vista como protetora do seu povo, ela também é temida e dizem que leva crianças malcriadas a seu antro para ali devorá-las. Para a população local o majestoso pináculo serve como um lembrete da presença da deusa.









