Vale dos Reis no Egito
O Vale dos Reis no Egito, localiza-se em uma área isolada e desértica no norte da vasta necrópole da capital antiga do Egito, Waset (Tebas), na margem oeste de Luxor atual. O Vale do Reis foi escolhido como um cemitério real pelos monarcas das dinastias XVIII, XIX, e XX. Este vale foi conhecido desde a antiguidades em Hieróglifos como ta-int que significa "o vale", e também r-n-ta-int que significa "boca do vale" e às vezes Sekhet-at que significa o "campo grande".
Vendo as pirâmides dos seus ancestrais saqueadas e inseguras, Thutmos I (Tutmose I), o terceiro rei da dinastia XVIII, foi o primeiro rei que mandou escavar um túmulo gigante na região montanhosa do atual Vale dos Reis, graças ao seu vizir e arquiteto Ininy que recebeu a ordem dessa missão secreta e santa. A evidência sobre este grandioso trabalho é uma estela, ou seja, um texto escrito em uma pedra, achado no túmulo do mesmo arquiteto Ininy, no cemitério dos nobres, localizado em Sheikh Abd El Qurna em Luxor: “Foi somente eu o supervisor e o responsável da escavação de um túmulo montanhoso para a sua majestade, ninguém mais ouviu nem viu” diz Ininy. Por tanto ficou como tradição para todos os reis que sucederam Thutmos I, seguindo o que começou nesta região construindo os seus próprios túmulos no mesmo vale privilegiado aproveitando a natureza serena da área do vale. Atualmente 63 túmulos foram achados no Vale dos Reis. Infelizmente quase todos os túmulos foram saqueados exceto um túmulo que ficou intacto, por acaso, durante milhares de anos, e apenas foi descoberto em 1922, isto é o túmulo do rei jovem Tutankhamón graças ao trabalho de Howard Carter e o patrocínio de Lord Carnarvon. Na realidade, foi necessário para os reis escolher uma região isolada e montanhosa para garantir a segurança das tumbas e preservação das múmias, enquanto começaram a separar entre o túmulo e o templo comemorativo ou funerário para evitar indicar o local certo do túmulo. Além disso, tomaram as medidas possíveis para ocultar a entrada do túmulo.
São 63 túmulos descobertos, 31 são decorados e coloridos enquanto 31 foram deixados inacabados. E o último túmulo "KV63", foi descoberto em 10 de Fevereiro de 2006. Supostamente que o rei Tutmose I o seu ministro Ininy escolheram este local com muita precisão e cautela e a após as obras de medições, os trabalhadores começaram escavar um túnel nas rochas calcárias da montanha com cinzéis e enxadas de cobre e bronze. Quando acabaram esta fase do trabalho, os pedreiros começaram a preparar as faces das paredes dos corredores e tetos para realizar as decorações. E na última fase os artesãos decoraram as paredes de relevos pintados. Os tópicos mais comuns foram, obviamente, as religiosas, textos e cenas que ilustram a viagem do rei morto no além-mundo. Enfim, e após a colocação do corpo mumificado do rei inserido no sarcófago na câmara mortuária, os trabalhadores bloquearam a entrada com pedras e selaram a porta com o cartucho dor ei. Os túmulos dos reis dispõem de um plano simples; uma entrada, escada descendente de pedras, um ou mais de um corredor que termina por ou fica ladeado de um poço, e uma sala de quatro pilares ornada com cenas tradicionais religiosas, e existe também, em alguns casos outro corredor ou mais que termina pela câmara mortuária no fundo do túmulo. As decorações que cobrem as paredes e tetos dos túmulos são textos religiosos e mágicos segundo a perspectiva egípcia antiga que ilustram a passagem ao além-mundo e o que garante uma viagem segura da alma do morto. são textos e cenas protetoras. As cenas mais usadas foram do livro mais famoso “Livro dos Mortos” que é um conjunto abundante de sortilégios e preces que supostamente orientam o rei durante a sua viagem à eternidade. O Livro do Imy-Dwat (Livro do mundo subterrâneo) é uma série complicada de textos, cenas, e encantamentos que narram ou orientam com misteriosidades a viagem de Rá através do mundo ultra-terrestre junto às dificuldades e riscos que ele confronta, sobretudo, durante as 12 horas de noite (horas da escuridão) até o amanhecer. Além dos textos que narram encantos e sortilégios mágicos que vencem os diabos e criaturas terríveis que aparecem ameaçando o caminho do morto, os nomes secretos dos diversos deuses concedem ao rei morto a força e proteção necessária para seguir seu caminho no além-mundo. Para, além disso, existem em quase todos os túmulos cenas tradicionais de oferendas apresentadas pelo rei às diversas divindades, em particular Isis, Osíris, Hórus, Hathor, Maat, Rá-hor-Akhti, Petah, Anúbis, Amon e Mut. Há também cenas das constelações, cena da deusa Nut, deusa do céu com o seu corpo curvado e decorado de estrelas. Entre as cenas mais comuns dentro dos túmulos do Vale dos Reis se destacam cenas do "Livro das Cavernas", "Livro da Terra" e as do "Livro dos Portais".









